Após incêndios, órgãos ambientais discutem situação da Mata do Catingueiro

Somente em 2017, foram registrados oito incêndios no local.

Caio Machado
29/08/2017 - 11h55

Após incêndios, órgãos ambientais discutem situação da Mata do Catingueiro

Desde um grande incêndio ocorrido em 2010, a Mata do Catingueiro, área de preservação ambiental em Patos de Minas, situada próximo ao Bairro Jardim Panorâmico, vem sofrendo vasta degradação ambiental. Somente em 2017, foram registrados oito incêndios no local.

Wilson José da Silva, vice-presidente do Codema - Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente Patos de Minas, afirma que o incêndio é de natureza criminosa e que apenas 15% da área original da mata foi mantida.

“Este ato é praticado por pessoas mal-intencionadas que não entendem o valor da reserva para o município. Mesmo com leis federais e municipais, não temos o que fazer, pois não conseguimos pegar estes vândalos em flagrante”, afirma Wilson.

“As pessoas não aceitam terem perdido a área para o município e provocam as queimadas. A troco de que eu não sei”, indagou o vice-presidente.

Segundo Dionísio Alberto de Brito, gestor e advogado ONG ODS - Organização Desenvolvimento Sustentável, a situação é preocupante. “Temos poucas áreas verdes na cidade. Apenas cinco parques por lei e a Mata do Catingueiro é uma delas”.

Dionísio explica que “inicialmente a mata possuía 300 hectares e hoje conta com pouco mais de 30 hectares. Composta por dois núcleos: a parte baixa situada próxima ao Bairro Jardim Panorâmico e a parte alta conhecida como Mata do Cachorro”.

A grande dificuldade enfrentada no local é que o número de queimadas aumenta no período de seca, o que segundo o gestor é compreensível devido à estação. O problema é que de vinte dias pra cá, três focos de incêndio foram registrados na Mata do Catingueiro.

O advogado conta que diversas espécies vivem na área: micos, ouriços, aves de vários tipos, etc. “Temos espécies raras na mata. Durante uma visita que fiz dias atrás, havia um ninho de gavião. Hoje vi a ave procurando onde ficar porque o ninho se foi com o incêndio”.

Outro triste exemplo dado por Dionísio foi o de que em função de uma das queimadas, um ouriço foi localizado próximo ao Sesi – área não tão próxima da Mata do Catingueiro. O mamífero estava fugindo de um dos incêndios registrados na mata.

Questionado sobre a natureza das queimadas, Dionísio diz que é difícil comprovar se o ato é criminoso ou não. “Se o incêndio fosse natural, ele poderia ter ocorrido no meio da mata, devido à imensidão da área da mesma. E no meio da mata não ocorre nada”, observa.

“Nenhum foco de incêndio foi constatado no meio da mata. O que leva a crer que algum tipo de material que provoque combustão possa ter sido deixado às margens. Criminoso ou não, cabe às forças policiais averiguar, o que nós queremos é preservar”, pontuou o gestor.

Dentre as propostas da ONG ODS para a preservação mata estão a observação do local, a criação de um inventário fauna e flora, a realização um controle da situação hídrica do local, a retirada ervas daninhas e a rearborização da mata.

O gestor faz um apelo para que a população patense entre em contato com a polícia, bombeiros, Codema ou mesmo a Prefeitura e efetue denúncias em caso de flagrarem algum tipo de ato criminoso no local.


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Reportagem: Igor Nunes
Imagens: Bruno Pires